Grupo mineiro Maria Cutia de Teatro apresenta espetáculo ‘Auto da Compadecida’ em São Luís

Em agosto, o Grupo Maria Cutia de Teatro chega, pela primeira vez, a São Luís com o espetáculo “Auto da Compadecida” – versão mineira da obra do gênio paraibano Ariano Suassuna, com concepção e direção de Gabriel Villela – e ainda mais dois trabalhos do repertório da trupe.

O espetáculo será encenado nos dias 12 e 13 (sábado e domingo), às 18h30, no Largo do Teatro Itapicuraíba, no bairro Anjo da Guarda, com acesso gratuito ao público.

“Auto da Compadecida” conta as aventuras picarescas de João Grilo e Chicó em uma epopeia milagrosa no sertão envolvendo o clero, o cangaço, Jesus, Maria e o Diabo. O projeto tem patrocínio do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, e realização do Grupo Maria Cutia, do Ministério da Cultura e do Governo Federal – União e Reconstrução.

Grupo Maria Cutia de Teatro
Com trajetória de quase 20 anos, a premiada companhia de Belo Horizonte (BH) – que já percorreu seis países e todas as regiões do Brasil. “A gente sempre teve um sonho de conhecer o Brasil todo. Um sonho impossível, né? E a gente une isso a uma vontade de descentralizar e sair do eixo Rio-São Paulo. Então, ir a São Luís, um Brasil que a gente não conhece e não sabe como é, que apresenta certamente diferenças em relação a Minas, de onde a gente vem, é para nós, algo muito especial. Sobretudo com o Auto da Compadecida, espetáculo que marca uma nova era para o Maria Cutia, com estrutura maior e mais complexa, um texto consagrado e tão atual do paraibano Suassuna, numa versão mineira, em terras maranhenses. Acontecimento cheio de brasis. Nosso Brasil muito grande, tão singular e diverso”, reflete Mariana Arruda, atriz e fundadora do Grupo Maia Cutia.

O grupo oferece ainda uma oficina de teatro, no dia 12, às 10h, voltada para estudantes de arte, educadores e interessados em geral, intitulada “Auto no Ato”, que propõe vivência cênico-musical com técnicas de canto e expressão vocal utilizadas durante a criação da montagem “Auto da Compadecida”. São 25 vagas com duração 3h. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por meio de preenchimento de formulário on-line disponível na bio do instagram @grupomariacutiadeteatro.

Espetáculo Auto da Compadecida
“Fazia muito tempo que a gente não realizava uma turnê grande com o Auto da Compadecida”, conta o ator e fundador da trupe, Leonardo Rocha. O espetáculo estreou em 2018, porém, com a pandemia foi preciso cancelar a participação em diversos festivais no Brasil. “É um espetáculo muito bonito visualmente, muito popular, não só pelo texto, mas pela encenação, e a gente é um grupo que gosta de viajar e conhecer pessoas”, diz.

“Muitas vezes, as pessoas ficam sabendo da peça porque passam pela Praça. E esse encontro não programado é muito saboroso, porque a gente conhece gente que talvez não fosse assistir ao Maria Cutia, se não fosse o acaso, que só o teatro de rua pode proporcionar e que dá ainda mais sentido”, comenta Mariana Arruda.

Inspirado na abordagem mítica brasileira do famoso anti-herói ou herói sem caráter, em “Auto da Compadecida”, o Maria Cutia narra as aventuras picarescas de João Grilo e Chicó que começam com o enterro e o testamento do cachorro do Padeiro e de sua Mulher e acabam em uma epopeia milagrosa no sertão envolvendo o clero, o cangaço, Jesus, Maria e o Diabo. “Desde o início, a ideia era fazer um espetáculo para a rua”, explica Leonardo. Quando a peça começou a circular, o ator relata que a maioria dos festivais era praticamente no formato palco. “Tem uma coisa na poética do grupo que é ser essencialmente de rua. A gente nunca faz um espetáculo pensando que vai ser só palco. E como durante esta turnê só vamos apresentar em espaços ao ar livre, a expectativa está grande por aqui”, adianta.

Na versão mineira e tropicalista, os atores cantam, ao vivo, canções de Roberto Carlos, Caetano Veloso, entre outros grandes nomes da música brasileira. Nos cenários e figurinos, criados por Gabriel Villela, referências fortes do barroco mineiro. A releitura aborda ainda, com pitadas de humor e ironia, temas já explorados na obra do gênio paraibano, como o racismo, a ganância, a exploração da fé alheia, conferindo ao texto de Suassuna, um ar brechtiano. O olhar político (sem didatismo ou partidarismo), desprendido do enredo original, aproxima o autor dos acontecimentos da política brasileira atual.

Já a oficina gratuita “Auto no Ato”, que será oferecida em cada umas das localidades percorridas, “propomos jogos de improviso com o objetivo compartilhar nossa experiência e vivência cênica enquanto coletivo, usando várias linguagens como a música, o teatro e a palhaçaria”, adianta a ´produtora da trupe Luisa Monteiro. A oficina é voltada para artistas, estudantes de arte, educadores e interessados em geral. Inscrições gratuitas no link na bio @grupomariacutiadeteatro. Vagas: 25 | duração: 3h.

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